Sempre segui o Budismo. Gosto desta religião sem dogmas em que não se acredita em nada para além do que se vê.

Buda não foi um Deus, mas sim um homem que procurou a forma correcta de viver e que escreveu os seus ensinamentos para que todos pudessem chegar ao Nirvana (estado máximo de sabedoria no que diz respeito à paz interior e a essência da vida).

O Budismo apela à calma e ao auto-conhecimento, fazendo-nos desapegar de tudo o que nos traz inquietude, raiva ou qualquer outro sentimento negativo.

Contudo estudei 15 anos num Colégio Católico que me ensinou muitos valores morais que sigo até hoje e que me fazem crer que, se não for Deus, alguém lá em cima toma conta de tudo isto.

Vivo um pouco entre estas duas religiões mas respeito todas as outras.

Respeito todas as pessoas que acreditam em alguma coisa e têm uma boa conduta com o que aprenderam com o seu Deus.

Por outro lado: não respeito fanatismo religioso nem qualquer tipo de transgressão moral.

Para mim toda e qualquer violência e crime são, qualquer que seja a religião, inaceitáveis.

Isto tudo para dizer o seguinte:

Na semana passada vi o filme Noé, um filme épico sobre o (suposto) momento histórico em que Noé construiu uma arca a pedido de Deus e nela colocou um casal de todas as espécies animais (excepto as marítimas, que sobreviveriam às inundações). Porquê os animais? Porque vivem exactamente como viviam no Jardim do Édem.

Nesse filme Noé reflecte sobre colocar ou não casais humanos, aptos para procriarem (na arca iria a família dele mas sem nenhuma mulher com capacidade de reprodução). A dúvida do personagem recaía sobre uma retórica profunda: será que o ser humano é merecedor de viver no Novo Mundo? Nós, os causadores de destruição ambiental e animal? Propagadores de ódio e violência?

Aquele filme deixou-me profundamente introspectiva!

Será que merecemos mesmo a terra que pisamos? Todos os dias destruímos a nossa própria raça (com actos de terrorismo, violência física e psicológica, assassinatos, violações, pedofilia…) e, não contentes, destruímos também o mundo que nos rodeia. Devastamos florestas, poluímos mar, terra e atmosfera, extinguimos espécies animais..

Nos últimos dias todas estas reflexões tomaram mais força com as notícias de caçadores furtivos.

A morte do leão Cecil pela mão do dentista norte-americano e a constante publicação de fotografias de animais selvagens abatidos como troféu por parte de Sabrina Corgatelli têm-me remexido literalmente com as entranhas.

Sinto-me envergonhada pela nossa raça.

Sinto que temos tanto a aprender.

Sinto-me impotente…

Seja qual for o nosso Deus, espero que se faça justiça perante todos estes actos de barbaridade.

E que ainda estejamos a tempo de nos redimir de todo o mal causado.

fotografia

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *