Um dos meus grandes sonhos, como o de muitas mulheres, é o de ser mãe.

Sempre gostei de crianças e sinto que tenho uma forma de interagir com elas muito natural: sem muito mimimi, porque ao contrário do que muitas pessoas pensam as crianças não precisam (e nós não devemos) falar com elas com voz ou linguagem de bébé.

Escusado será dizer que quando vi a imagem do corpo do menino sírio que circulou pela internet por estes dias fiquei no mínimo abalada.

E então se fosse um adulto? Não ficaria? Ficaria, pois. Mas um adulto, bem ou mal, tem consciência do terror que está a viver, das atitudes que está a tomar, da força que tem que ter….. Uma criança? Um ser frágil e ingénuo que jaz morto numa praia certamente não teve a mínima culpa de tudo o que o mundo lhe reservou!

Depois li a história do pai…. Meu Deus!

Um homem que fugiu a todo o custo do seu País e agora, sozinho, com os corpos da mulher e dos filhos, refere que o único desejo é voltar para lá para lhes dar o descanso eterno!

Tudo isto já me chegaria para me sentir pequena e para me dar panos para mangas para reflexões mais profundas: sinto-me uma hipócrita a escrever isto no conforto do meu lar, no meu computador pessoal, enquanto de uma forma muito relaxada vos falo do estado do mundo…

Mas o que posso eu fazer? Juro-vos que isto não é uma retórica!

Gostava mesmo de saber o que posso eu fazer!!! Quero ajudar e sinto-me impotente!

Estas imagens tiram-me o sorriso, tiram-me a fé que tenho na humanidade, tiram-me o chão que tenho nos pés!

Pior do que isso? É ver como as pessoas reagem a tudo isto!

Tenho evitado ver o meu mural de facebook para não eliminar amigos que até tenho em boa conta!

Já li que não lhes devemos abrir portas “porque vêm para cá tornar o nosso País um local de conflito”.

Já li que “esta gente é conflituosa e sabe-se lá se não foi o pai que o atirou para fora do barco!”

Já li “por favor parem de publicar estas fotos que eu não tenho que abrir o facebook e ver desgraças!”

Vamos continuar a tapar o sol com a peneira?

Por último, e em vez de postar uma foto do menino, prefiro deixar-vos uma reflexão com uma música de um filme de crianças, que nos dá a resposta:

“O que é que importa a cor de alguém?”

Somos da mesma raça, somos irmãos, independentemente de onde nascemos ou que cor temos!

Não deixem que a política ou qualquer outra forma de poder se sobreponha a isso!

 

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